VÁRIAVEIS DETERMINANTES PARA O NÍVEL DE PRESSÃO EM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO NO ESTADO DE RONDÔNIA
Desmatamento na Amazônia, Modelagem Preditiva, Governança Ambiental
O desmatamento na Amazônia brasileira é um fenômeno complexo, cujos vetores são amplamente debatidos na literatura científica, porém frequentemente analisados sob escalas agregadas que obscurecem dinâmicas locais. Este trabalho investigou os impulsionadores da perda florestal através de uma abordagem mista, combinando uma Revisão Sistemática da Literatura (RSL) e uma modelagem preditiva espacialmente explícita. A RSL, baseada em 135 artigos, revelou um viés metodológico significativo: 79% dos vetores apontados como relevantes concentram-se em macro e meso-escalas, gerando uma lacuna de conhecimento sobre os fatores que operam no nível da propriedade e dentro de áreas protegidas. Para mitigar essa lacuna, realizou-se um estudo de caso nas Unidades de Conservação (UCs) de Rondônia, utilizando o algoritmo de aprendizado de máquina Random Forest e a técnica de interpretabilidade SHAP em microescala (resolução de 250 m). O modelo obteve uma AUC média de 0,81 e identificou a "distância ao desmatamento interno" como a variável de maior poder preditivo, demonstrando que passivos ambientais preexistentes atuam como catalisadores de novas conversões por meio de um efeito de contágio. Os resultados evidenciaram extrema vulnerabilidade institucional, com o risco concentrado em UCs de gestão estadual e de Uso Sustentável, notadamente a RESEX Jaci-Paraná, sugerindo que a degradação interna precede e justifica processos políticos de redução ou desafetação dessas áreas (PADDD). Conclui-se que a proteção efetiva das UCs depende não apenas de barreiras legais, mas da contenção imediata da expansão logística interna e do fortalecimento da governança em nível estadual.